9.11.09

Notícias de última hora

O Elio Gaspari fez uma conta comparando as atitudes de Lula e FHC diante da crise, e, pela conta, o metalúrgico do ABC foi mais favorável à população (isenção de IPI em geladeiras, fogões etc) do que o sociólogo da Sorbonne.

Não sou religioso, mas só consigo pensar que Deus escreve torto por linhas tortas.

26.10.09

Congresso de lágrimas



Cena 1

Terça-feira. O corredor está lotado de gente. Velhos em mesas rolantes, em macas... Gemidos. Lençóis sujos. Sujeira. Hospital Antônio Pedro. Uma dondoca de branco desfila indiferente. Serviço de saúde pública, médica residente e minha mãe, internada na tarde do último domingo.

O velho uruguaio arrasado, mal vestido, barba por fazer. Um peso nas costas. Ele me vê e levanta. Tá tentando ser uma estátua, mas foram 30 anos de convivência. Pergunta como eu estou. Estátua. Prático. Seco e sujo como um corredor de hospital.

Passamos por corredores entulhados. Não há água. Não há água e está quente. Um lugar perfeito para ratos e micróbrios. A gente se encaminha até uma sala. Um homem de jaleco branco sobre um jeans nos atende. O velho me aponta “es el hijo de ella”. O homem me olha com indiferença – não se sente seguro, faz parte de uma engrenagem podre e, o pior, sabe disso. E o pior, vive disso.

No atestado de óbito, está escrito que não houve tempo para o diagnóstico.


Cena 2

Ontem, não teve aula. Morreu o chefe do tráfico da região. Eu não tô nem aí. É bom que eu descanso. Seria bom se matassem um marginal desses por dia.

Coloco o jaleco e vou pra sala. Para compensar uma questão burocrática, mandam que entremos às 18:30. Não há um aluno só na sala. Abro o livro. Preciso estudar pra sair daqui. 19:15, já tenho 9 alunos na sala. A lista de chamada tem mais de 40 nomes. Vamos fazer a chamada e começar.

João. Presente. João. Presente. João. Presente. João. Presente...

Converso com os alunos sobre a responsabilidade de cada um. Sobre a farsa na qual são espectadores, atores e diretores. Vão terminar os estudos sem saber nada. Não conseguirão fazer qualquer tipo de prova para qualquer função. Eu preparo a massa que servirá ao conforto do jaleco branco.

Uma aluna me interrompe. Ela sabe de tudo isso, só nunca tinha ouvido assim. Seco. Sujo.

_Tudo bem, professor. Obrigado, mas vamos fazer a prova em grupo. Nós só queremos o diploma.


Cena 3

Antônio foi assaltado. Ele é um bom homem, religioso – mole e preguiçoso. Escorado dentro de um sistema confortável e medíocre. Pobre, mas resolvido. Pequeno, mas resolvido. A fé é um carnaval num comprimido de placebo.

Todo dia, eu, que sou ateu, rezo pra que Deus volte e termine com isso.

Antônio foi à delegacia restaurada, bonita, limpa, computadorizada. Tem filmadoras. Antônio pediu pra fazer o boletim de ocorrência do furto dos documentos. O policial civil olhou pra ele e pediu um minuto. Entrou numa sala. Tirou o casaco branco do uniforme interno e saiu. Virou para o Antônio e pediu que ele o acompanhasse.

Atravessaram a rua. Entraram no bar em frente. O policial cumprimentou o dono do estabelecimento. Levou Antônio para uma mesa, fora do ângulo de visão da rua. Sentou e, seco, sujo, com Antônio ao pé, falou:

_ Aí, deixa 20 reais.


Cena 4

Fulano saiu da reunião no Centro da cidade. Fulano é legal, trabalha pra melhorar a vida dos outros e melhorar a sua, claro! Tem seus pecados, mas nada capital. Fulano desceu do prédio e pegou a famosa rua do Ouvidor.

Os assaltantes se aproximaram. Fulano é de origem simples. Não podia deixar barato. Houve briga. Levou um tiro. Fulano não tem dinheiro. Os assaltantes levam o tênis e o casaco. Deixam Fulano batendo no chão.

O carro da polícia passa pelo corpo quente de Fulano logo em seguida. São segundos. Abordam os assaltantes. Capitão desce de arma em punho. Capitão pega o casaco e o tênis e os coloca no camburão. Capitão libera os assaltantes.

Fulano tem amigos e um deles chega, quando um outro carro da polícia já está no local do crime. Sicrano se aproxima e coloca a mão no peito de Fulano. Sicrano informa ao policial.

O policial olha com indiferença – não se sente seguro, faz parte de uma engrenagem podre e, o pior, sabe disso. E pior ainda, vive disso.

_É assim, mesmo. A pessoa morre, mas o coração continua a bater.


Cena 5

Paramos num bar, perto do hospital. Duas cervejas e um silêncio. A gente fala de alguma coisa sem sentido e sem possibilidades. Um enterro decente custaria dinheiro que não temos. Não temos fome. O velho vai preparar o corpo e eu fazer ligações. Um amigo de branco consegue o caixão e o cemitério.

O corpo está dentro do caixão de papel sobre uma mesa de concreto frio. O cemitério é nos cafundós do Judas, perdido, sem cuidado. Sujo. Morto. O velho não quer sair dali. A gente procura um bar. Duas cervejas. O enterro será amanhã. O velho vai pra casa pobre, com cheiro de fezes de cachorros e gatos. O velho vai arrumar as coisas dela.

Dela, só viemos o velho e eu. Meu, vieram alguns amigos.

É a hora. Os coveiros estão bêbados. Não há carrinho. Tem que pagar porque alguém aqui perto tem um carrinho de cemitério e aluga. Tem que falar com o dono de uma loja ali perto. O homem me olha com indiferença – não se sente seguro, faz parte de uma engrenagem podre e, o pior, sabe disso. E o pior, vive disso.

Um amigo paga.

O coveiro pergunta se não tem ninguém para levar o caixão até o carrinho. Ele diz que falta uma pessoa. Eu, o velho e um amigo seguramos. Sem remédio, o coveiro então segura na alça que sobra. O peso é enorme. Tenho medo do caixão rasgar. São menos de cinco metros até o carrinho e, de carrinho, numa corrida acelerada pelos coveiros, uns trinta até o buraco no chão.

Mas, o carrinho não vai até o final. A gente pega o caixão de novo e o leva entre as covas e as baratas. O caixão vai para o buraco.

O enterro é seco, rápido, sem fé, sem padre e sem oração. Um adeus pequeno. Melhor assim.

10.10.09

João-João

video

Quantas vezes, tua cabeça de papel na minha mão?
Quantas vezes, joão-de-pedra, joão-de-barro, joão-de-chão?
Chão de Sevilha, recifense de chão?
Chão de Itabira, Cordisburgo de chão?
Chão pantaneiro, do Rio e mineiro de chão?

Oh, João, eu não sei nada, sou só desconfiado
e tenho só o pecado de amar um irmão
- que é o próprio diabo e é são,
que é a própria correnteza e a mansidão.

Um irmão que é rio e é chão
que corta Minas e o corta o sertão
que leva a Pasárgada, que sai de tua mão
- e faz um barulho de trem.

Porque, João, é bom que se diga
a toda mão amiga
que toda flor fura o chão, que toda flor fura a vida
que toda flor é contramão.

Porque toda flor fura o céu e toda flor fura o chão.
Porque toda flor fura a fraqueza, a exatidão.

Porque, João, toda flor é um ventre e é compaixão.

João, João, mesmo que sejas Manoel, Carlos, Cecília,
o teu nome é João, que é o nome da espécie que fura o chão.
Mesmo que sejas Augusto, Jorge ou Raquel,
o teu nome é João, que é o nome da espécie que irriga o chão.
Mesmo que sejas Ferrera, Adélia, Gonçalves
és João, que é o nome dessa espécie que já é a nação.

És João e tua cabeça de papel será sempre servida
como pão, como hóstia, como prêmio, como a anunciação.

Porque João é o nome da flor que irriga o chão.

2.10.09

Notícias de última hora

E o Rio de Janeiro foi escolhido para Sede das Olimpíadas de 2016.

(Corta para foto em Copacabana).

***

Máximo Comentário: Se eles gastaram mais de R$ 3 bi para a realização do PAN (quando o orçamento primário foi de R$ 370 mi), imagina a conta para um investimento inicial previsto de R$ 25 bi.

A vantagem é que a cidade e a população do Rio ganharam muitas coisas com o PAN. Por exemplo...

_Bem, alguns vão ficar podres de rico ajudando o Brasil a crescer... É justo.

***

(Corta para a repórter no estúdio)

Continuam desaparecidas milhares de pessoas no terremoto de Sumatra.

***

Mas, há sempre a esperança de Jesus voltar.

29.9.09

"Quanto vale ou é por quilo?"



A ideia era fazer mais uma crônica "engraçadinha" e divertir um pouco os meus amigos, além de deixar o ego satisfeito. Motivos não faltam: conheci Salvador, conheci o paraíso (Ilha Grande), meus filhos estão o máximo e, tirando o desemprego, está tudo bem.

Mas assisti ao "Quanto vale ou é por quilo?" e desandou o quiabo. O filme é de Sérgio Bianchi e ficou famoso porque uma de suas protagonistas suicidou-se. A pergunta que ficou é: como um filme assim tem como resposta um pleno silêncio? Não o vi em nenhum dos festivais de cinema nacional na Rede Globo. Não lembro dos debates - tão acalorados com "Tropa de Elite" e "Cidade de Deus" - nas mesas dos bares - e tenho certeza de que eu já bebia em 2004.

Não há como resumir esse filme em algumas palavras. A sua denúncia, na minha avaliação, coloca-o entre os melhores filmes do cinema nacional (desconsiderem o que foi feito antes da década de 80 porque não vi, não sei, logo não existe), à frente dos dois já citados, ao lado de "Central do Brasil" e atrás de "O auto da compadecida".

Embora algumas denúncias sejam colocadas de forma caricata, tentando amenizar a potência do que se diz, outras beirem à tolice (como as cenas das crianças e os computadores), o filme é forte (se é que algo ainda pode ser forte diante da realidade).



Esta foto faz uma belíssima atualização do nosso Navio Negreiro.

Já o mercado da caridade está aí, difundindo-se enquanto o Estado faz a sua parte: alimenta-se.

Dentro dessa avaliação, trabalhei nos últimos cinco anos numa empresa desse segmento e a conclusão a que cheguei é que ela tem lucro demais.

***

Tenho um pensamento recorrente que emergiu, agora sem vergonha, enquanto ouvia os valores da caridade para um mundo melhor: quanto custa a manutenção dos ditos centros culturais espalhados pelo país? Creio haver aí também um buraco.

As escolas e as faculdades não deveriam ser centros culturais? Outra questão: dada a distribuição de títulos superiores, para aumentarmos nossas estatísticas no cenário mundial, chegamos ao mestre semianalfabeto (tive um superior que escrevia um e-mail para vários médicos com "essa situação não tem haver com a sua solicitação"), ciente de que 70% da verba da educação são destinados ao nível superior, que "torna superior" 10% da população, não seria interessante inverter esse valor e garantir que todos os 90% de alunos restantes, oriundos do ensino básico, sejam capazes de ler e entender.

Peço atenção para destacar mais um ponto: quando aprendi a ler, aprendi que ler pressupunha entender. Hoje, essas duas palavras têm vidas independentes.

***



O centro histórico de Salvador me pareceu feio, portador de uma alegria histérica, que, alimentada por uma cultura da festa, faz apagar o cheiro de urina do pelourinho e a mendicância epidêmica que assola o município.

Ouvi falar que o show do Olodum tem uma energia boa etc., fui lá e acho que talvez tenha mesmo, mas o ritmo, a marcação é a mesma - quase como o funk carioca, de uma criatividade duvidosa.



O fotógrafo que vive em cada turista é um alienado (mas é justificável, vejam as minhas fotos). Sua documentação registra o sucesso da sociedade. Sua lente foca o céu, o sorriso, a festa, num desespero humano para não ver a terra, para não sentir o cheiro. Sua mente orientada para a diversão, apaga os pedintes, o clima de insegurança (nem questiona o porquê deste clima), a prostituição etceteramente.

"Evoé Baco!"

***



Ilha Grande é, sem dúvida, o lugar mais bonito que já conheci e oferece o isolamento inalcançável no continente. Percebo uma certa vontade de ter também a sua própria (e triste) rua das Pedrinhas, de Búzios, mas, graças a deus, sem sucesso.

Além do curso de história, Ilha Grande é um convite à contemplação, à desaceleração. Mais do que um lugar para se apreciar o exótico, o diferente, mais do que um lugar para o pulo para fora, Ilha Grande é um lugar pra ficar.



Tomara que consigamos ir e não espantar (ou matar) os peixes por mais 5 séculos.

6.9.09

“O contador de histórias”, "O menino do pijama listrado" e a “Clarice” de Beth Goulart.



Sexta-feira, saio pontualmente às 17:40 e vou correndo encontrar a Simara para assistirmos ao “O Contador de Histórias”, no Cine Catete.

“Puta que la merda!”, ou estou ficando cego (borgianamente, cabralinamente), ou a resolução não está boa. Simara diz que a imagem está perfeita, então, menos um ponto pra mim.

O filme surpreende porque, contrariando o que achávamos os meus amigos Fabiano, Ivan e eu, não é a história de um vencedor. É a história da derrota de um sistema. Um sistema que só pode ser superado por um milagre, nas palavras de uma das personagens.

Enfim, ao invés de funcionar como um consolo, algo como o “2 filhos de Francisco”, de funcionar como um discurso que esvazia a função do Estado, o filme assume a derrota do coletivo e, entregando a sobrevivência do personagem à intervenção divina (no caso, a paciência e a dedicação de um anjo da guarda, personificado em uma estudante francesa), deixa a certeza de que um grande número de brasileiros está perdido.*

Como professor do Estado do Rio de Janeiro, tenho certeza disso.

*A boa sacada comparativa entre os dois filmes foi da Simara.

Fiquei me questionando, vendo as preocupações que tomaram conta de nossas vidas (degustar um vinho, ir à exposição, discutir Godard etc.):

O que faz quem não sabe? Quem não teve acesso à informação faz o quê? Nada.
O que faz quem sabe?
Nada.

***


Assisti com meus filhos ao belo e inocente "O menino do pijama listrado". Helena se encolhia, o Marcus parou o rascunho de um futuro desenho.

Não sei se enquanto filme é uma grande obra de arte. Acho que cairá no esquecimento rapidamente, entretanto, os filmes sobre a estupidez nazista despertam as almas boas.

Quando assisti a "O Pianista", três coisas me impressionaram (sempre me impressionaram)e continuaram nesse filme:
- a estupidez e a empáfia humanas;
- a servidão dos próprios judeus como uma subpolícia para entregar outros judeus às fornalhas e aos campos de concentração; e
- a capacidade de ser ofendido sem revidar.

***



“A arte é um vazio que a gente entendeu.”

Clarice Lispector é, sem dúvida, a maior escritora deste país, assim como Guimarães Rosa é o maior escritor. (Hoje, estou a fim de frases grandes.)

Por conta disso, seu nome e o de mais uns 10 escritores são o mote de diversas revistas especializadas em Literatura e afins. É difícil tentar um nome novo. Assim, a roda se autoalimenta, mas não cresce.

Assim, Beth Goulart preparou uma hora de uma peça com recortes dos textos da ucraniana que se radicou em Pernambuco.

O resultado é uma bela seleção e uma boa peça, com um texto que só poderia ser impecável. Então, com todo respeito, fica fácil acertar e a Beth acerta muito.

(É verdade que um bom texto – reconhecido pela história e pela crítica literária reconhecida – não é garantia de um bom resultado, mas...)

Li quatro livros da Clarice (o que não me faz um especialista) e é simplesmente impressionante a potencia dos seus textos. A capacidade de se cavar, de se desentranhar e continuar ainda por revelar-se.



Além disso, Clarice é uma máquina de fazer frases poderosas!! E isso ajuda qualquer texto. Veja a bíblia, veja “Assim falou Zaratustra”.

Creio que a peça foi muito curta (uma horinha, apenas) para a potencialidade da Clarice. Talvez, a vontade de não cansar, o perigo do erro, talvez o povo não tenha apetite para monólogos maiores.

Há uma passagem que o texto fala sobre a raiva de saber de 100 famintos. E, muitas vezes, é essa raiva que a mantém viva.

Belchior cantou isso pra gente...

12.8.09

Max, o fanfarrão.



Max é uma invenção. Não lembro bem quando o criei, mas já deve ter muito tempo. Tem gente até que, sendo meu amigo, me trata como Max, e, o cúmulo, às vezes, eu mesmo me trato assim.

O Max foi uma criação para que eu parecesse mais simpático, mais digerível, a começar pelo nome. É mais simples... por exemplo, ao telefone:

_Alô.
_Alô.
_Pois não...
_Bom dia, aqui é o Máximo e eu...
_Quem?
_Máximo.
_Máximo?
_É, Máximo.
_Tudo bem... hummmmm... é... em que posso ajudá-lo?

Isso quando eu não pego um engraçadinho do outro lado:

_Máximo? Máximo de máximo?
_ (hehe) É, Máximo...
_Caramba, metida pra c*¨¨%%##acete a tua mãe, hein??

E na sala de aula? Onze em cada dez professores perguntavam:

_E você é mesmo o máximo?

Com o tempo, fui desenvolvendo algumas respostas menos diplomáticas e, digamos, igualmente engraçadinhas, mas nunca tive coragem de usá-las - este também é um comportamento do Max, o Máximo já é mais estressadinho.

Max facilita muito, veja:
_Alô.
_Alô, aqui quem fala é o Max.
_Olá, Max, o que precisa? Estamos aqui para ajudá-lo. Quer dinheiro emprestado?

O Max tem outro problema. Ele parece que não tem problema financeiro e, com ele, algumas palavras funcionam como abracadabra. Tipo:

O Máximo está fazendo contas para saber se paga o aluguel, ou o cartão de crédito. Aí, toca o telefone.

_Fala, Max.
(Mas é o Máximo que está no controle) _Fala, Luiz. Qual é a boa?
_Tá f&¨%¨$oda, meu irmão. Tô sem um puto. A Robersimarcia tá me enchendo o saco.
_É, tá f¨%$%$$oda, mesmo. Também não tenho aonde cair morto. Tô almoçando no jantar pra economizar uma refeição.
_É f*&¨%%oda. Seguinte, vambeber uma cerveja?

(=abracadabra - Agora, é o Max que assume).

_Vambora, p&¨%$$$$orra. Já tô todo f$*&¨%udido mesmo.
_Mas, eu tô duro mesmo, sem um puto.

(O Max já está fora de controle. Mesmo esta contrassenha não o desliga)

_A gente paga no cartão, no tíquete-refeição, a gente pede pinico, fala que é dependente...

O Max é metido a engraçado. Só que aquele tipo de engraçado com piada clássica, sabe? Repetida? Então... tipo, entra no banheiro do trabalho gritando:
_ Sai, sai, sai, sai que vai dar merda!!

Aliás, de banheiro, ele tem mais duas:
_Aí, se eu fosse vocês, eu me mandava daqui porque vai sair o maior pau aqui dentro.

Ou olhando para as bolinhas de naftalina que colocam nos mictórios:
_Porra, o cara que mijou estas bolinhas deve ter desmaiado.

E tem a de todo dia de pagamento, falando alto quando abre o contracheque:
_Ué, vocês também receberam aumento??

E, de manhã cedo, quando chega atrasado no trabalho. Todo mundo vendo:
_Boooom dia, Vietnã!

Outro exemplo de palavra abacadabra.

O Máximo já tinha marcado um encontro para ir beber uma cerveja com as amigas da faculdade, que não vê há seis meses. A namorada não acha a situação muito interessante e diz:

_Ah, nego, eu queria fazer alguma coisa...
(Puft!!!!)
_Então, tá. Acho que eu posso encontrar com elas rapidinho...
_Ah, nego...
_Pensando bem, meu aniversário já taí, em novembro, né?

O Max é f#$@###$oda!! Não tem prioridades. O Máximo tem dois filhos e três trabalhos, o Max tem uma namorada e um monte de amigos. Ah, e a namorada do Max tem um monte de amigos. O Max faz projetos, geralmente 10 por vez, o Máximo tenta manter-se vivo e fora do SPC. O Máximo não bebe, é ateu e tem pouca paciência. O Max é alcoólatra, crê em qualquer coisa e justifica até mão na bunda. O Máximo não perdoa Jesus, já o Max acha que Hitler teve lá os motivos dele.

O Max é Flamengo, o Máximo acha futebol coisa de alienado. O Max vai até o chão, o Máximo acha este tipo de música coisa de alienado e candidato a veado. O Máximo gosta de Belchior - é a música que escuta quando está alegre. O Max acha Belchior coisa de intelectual brocha, o Máximo acha que quem acha isto não merece que lhe dirijam a palavra.

É o Máximo que acorda da amnésia alcoólica depois da noitada do Max e tem que explicar pra namorada que foi só cachaça, embora, não esteja muito convicto de que isto reduza o problema...

Max: Ah, Máximo deixa de ser chato. Vai aprender a jogar bola. (O Máximo tem um problema na perna, mas o Max nunca respeitou esta limitação.)

Máximo: Só quando você aprender a pagar as suas contas.

Max: Eu sou artista. Eu faço festa. (O Máximo odeia qualquer um que se autodenomina artista.)

Máximo: Vá pra p)(*&*&¨¨&utaqueo***&&pariu, seu candidato a hippie de m##$$@#$@erda!! (O Máximo não tem paciência.)

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